Bruna Salis


Bom... vamos lá à coqueluche do momento: o jogo "Baleia azul".

Já recebi muitos whatsapp aterrorizantes, de origem duvidosa, com fotos montadas e etc. O jogo existe? Sim! Como já existiram vários outros anteriormente.




Discutindo o assunto com um grupo de terapeutas do IbraPNL, do qual faço parte (aproveito para registrar meu agradecimento aos colegas pelas participações e contribuições para que eu pudesse refletir melhor sobre o assunto e construir esse texto), chegamos à algumas constatações importantes. Começamos com um questionamento: onde está o problema do que está supostamente acontecendo por conta desse jogo?




Como tudo na vida, um ponto de vista é apenas a vista de um ponto. Não é o ponto integral, muito menos uma visão global.

Por um lado considero INQUESTIONÁVEL as conquistas que nós mulheres obtemos (e ainda obteremos) ao longo dos tempos. Resumidamente eu diria que conquistamos o direito de ter direitos e de poder lutarmos por eles. Deixamos de ser meras participantes na platéia da vida e subimos ao palco. E ao adentrarmos esse lugar estamos, como todo e qualquer aprendiz, aprendendo. Aprendendo a exercer os nossos deveres e direitos. Aprendendo a sermos quem somos. Para quem não podia subir ao palco, sem dúvida alguma estar em cima dele é uma vitória.E toda conquista tem um preço, um investimento, um custo.

Sim, mulheres. Sem dúvida alguma pagamos um preço que tem sido muito alto. Não por termos subido ao palco.Esse de fato é o nosso lugar! Muito menos por estarmos desempenhando todos os papéis inerentes a essa subida. No "contrato" de subida ao palco aceitamos a cláusula que nos confere o direito/dever de exercemos os papéis de filhas, mães, namoradas/esposas/companheiras, profissionais, amigas, organizadoras do lar, aquelas que "devem" se preocupar com a saúde e a forma física... Ufa! 24 horas em um dia é pouco demais para fazer tudo isso. Esses papéis sempre vão coexistir e conflitarem entre si. Repito: o preço alto não está no palco, não está nos papéis e não está nas conquistas louváveis que tivemos.

O preço alto esta na forma absoluta como queremos desempenhar todos esses papéis. O preço alto está na disponibilidade excessiva que ofertamos. O preço alto está no tentar ser perfeita em todos esses desempenhos. O preço alto está nos resultados - nada positivos - dessas nossas políticas para nos relacionarmos. Essa política para relação está baseada em uma relação de causa e efeito que nos obriga a comportarmos de determinadas maneiras em nossas relações (comigo mesma, com o outro e com o grupo no qual estou inserida) para sermos amadas, reconhecidas, valorizadas e admiradas....

É nesse ponto que o dia internacional da mulher me deixa incongruente. Porque, quase sempre, somos parabenizadas não pelas conquistas. Muito menos pelas nossas habilidades pura e simples. Mas sim pelo resultado do esforço hercúleo que fazemos para desempenhar, com louvor, todos esses papéis. Atire a primeira pedra a mulher que no dia de hoje não recebeu/receberá as seguintes comunicações: "Parabéns vocês fazem a diferença", "você são especiais", "vocês fazem o nosso mundo melhor". Coisas lindas de se receber/ler/ouvir? Bonitas em seu conteúdo. Já a sua estrutura é de cobrança. Veja se você ao ler isso não vai querer receber mais parabéns, reconhecimento, valorização.... E o que faremos pra isso? Continuaremos nos esforçando para desempenharmos cada vez melhor e recebermos cada vez mais esses reconhecimentos.

Pois é.... eu comecei o texto dizendo que ponto de vista é a vista de um ponto. Estou de convidando a pensar sobre um outro angulo. E nessa visão reenquadrada reside o tiro pela culatra. O pulo do gato. Queremos esse reconhecimento não só no dia de hoje. Termos esse reconhecimento nos outros 364 dias é uma tentativa vã de mudar o mundo. Não temos esse poder. É muito mais difícil ser mulher que ser homem. Ponto indiscutível. E o mundo não vai nos tratar de uma forma melhor por conta disso.O mundo e todos os seus seres - masculinos e femininos - poderão continuar nos parabenizando pelos resultados e não pela nossa essência. A pergunta é: para quê mesmo queremos esse reconhecimento? Será que precisamos mesmo desse alto desempenho para obter algo que é espontâneo?

Elogios são cobranças em sua estrutura. Ao elogiar a nossa capacidade mestra (e temos mesmo essa capacidade) de sermos tão especiais e guerreiras, sem perceber, criamos em nós, e nos que convivem à nossa volta, uma grande ilusão: a ilusão de que devemos continuar sendo essas guerreiras que passam por cima de seus próprios limites para trazer os resultados maravilhosos que trazemos e assim sermos valorizadas, reconhecidas, admiradas e amadas.

O mundo pode continuar nos valorizando, reconhecendo e parabenizando neste dia pelos benefícios que geramos neste mesmo mundo no qual estamos inseridas e também usufruímos desses resultados. Há inclusive quem elogia pelo que somos! E não pelo que fazemos. O mundo pode - e vai - continuar exigindo de nós esse desempenho fantástico porque conseguimos coisas "especiais". As pessoas podem - e vão - continuar nos elogiando, reconhecendo e admirando quando elas sentirem essa necessidade. Não dá pra mudar o outro. Nem da pra adivinhar o que o outro está levando em consideração ao me elogiar (a menos que eu colha informações a esse respeito).

Eu me sinto muito melhor em responder, mesmo que internamente, a esses elogios e parabenizações no dia de hoje da seguinte forma: "Ah, obrigada pelo reconhecimento. Realmente não é fácil dar conta dessas coisas todas. Agradeço pela sua valorização às habilidades que nós mulheres temos. Mas não espere que eu seja assim todos os dias. Não prometo que vou usar sempre essas habilidades para ser essa mulher poderosa, porque eu não tenho obrigação de ser assim. Eu vou me permitir escolher. Eu gosto muito de ser reconhecida pelas habilidades que tenho e não pelo que tais habilidades podem conferir ao mundo. Haverá dias em que as minhas habilidades serão só habilidades e eu escolherei se as usarei ou não. Quando eu as usar, será por amor. E não porque sou obrigada a usá-las." 

Eu me sinto muito melhor em reconhecer que eu posso escolher o que fazer com essa minha habilidade. E não compreender essa habilidade como uma obrigação.

O objetivo deste texto não é impedir o recebimento de elogios. Não é uma ode aos elogios e parabéns que recebemos. Muito menos tenho como objetivo desconsiderar os elogios que recebemos neste dia. O objetivo que tive ao escrever é, em última instância, devolver à mulher, nesse dia em que é muito elogiada,  o direito dela fazer do elogio um elogio. E não uma cobrança de desempenho. Como eu disse: a gente não muda o mundo! Elogios continuarão acontecendo baseado nos critérios de quem elogia. E a quem recebe o elogio está concedido o direito de usá-lo apenas como elogio.

O meu desejo para esse e todos os outros dias de nós mulheres? Que possamos re-conquistar a nossa autenticidade e a nossa autonomia de sermos o que quisermos ser. Aí o riso será espontâneo. O choro será espontâneo. O amor - na plenitude do seu termo - irá sobrepor a culpa na nossas relações conosco mesmas, com os nossos parceiros e com o grupo ao qual pertencemos.

Parabéns a todas nós mulheres por sermos e não por fazermos!
O chefe está (ou é) nervoso e nos massacra em cobranças.
O trânsito é impiedoso.
Parece que as tarefas domésticas aproveitam a nossa ausência durante o dia para se multiplicarem.
O sono é interrompido ou pouco. Ou pouco e interrompido. Ou pouco, interrompido e leve.
A preocupação com as finanças está sempre ali, presente e nada sorridente!
Os problemas familiares vão estourando feito pipoca na panela.
Ainda tem os amigos que nos cobram sobre a recusa constantes aos convites.
O(a) parceiro (a) que "resolve" ficar carente logo quando a gente tá pilhado ou sem tempo (Atire a primeira pedra quem nunca pensou: "ele(a) deve fazer isso pra me provocar. Só pode! Não é possível que não viu que eu tô estressado! Que falta de compreensão").
A academia que está sendo paga, nada de frequentarmos e o projeto "Fitness 2017" está em crise. Não é brinquedo não.
Viver dá um trabalho danado mesmo.
As tarefas são muitas e 24 horas parece ser um tempo curto demais para tudo que vamos acumulando na rotina. A irritabilidade vai aumentando.
Cadê paciência e tolerância? Temos pressa.
Junto com isso tudo, algumas pessoas desenvolvem crises de ansiedade. Taquicardia, suor frio, dores de cabeça, falta de ar, insônia, perda ou aumento do apetite, a sensação de que tudo vai dar errado, a insegurança, sentimento de incompetência... são muitos os sintomas comuns. Logo nos vem o auto-diagnóstico: estou estressado (a)! Sim, é provável que você esteja mesmo. Mas o stress, embora muitos pensem assim, não é o acumulo de tarefas e responsabilidades do mundo moderno. Muito menos uma inabilidade para lidar com as pressões (eu deveria ficar mais calmo, não me irritar, não perder a paciência "fácil"). Stress é a perda da capacidade de descansar. Simples assim! Os problemas e desafios vão continuar existindo e a tendência é que se mostrem cada vez maiores e mais intensos. Se ficarmos tentando diminuir esses desafios - que são do mundo externo e não temos necessariamente controle sobre eles - inicia-se uma estratégia do cachorro que fica correndo atrás do próprio rabo. Gasta-se uma energia intensa em algo que não produz resultados efetivos. É claro que a revisão de tarefas faz parte das estratégias eficazes para recuperar a capacidade de descansar. O problema é que muitas vezes estacionamos aí. Ficamos procurando uma solução mágica para a pressão desaparecer, para as tarefas serem cumpridas por outras pessoas. Acreditamos que o chefe deveria ser mais compreensivo ou educado, que o mundo deveria nos tratar de outra forma, ou ainda adotamos o pensamento de que "a vida é assim mesmo." Ei, psiu! Planeta Terra chamando! Aqui é assim mesmo, camarada! Mas isso não significa que estamos condenados a um sofrimento constante.
A notícia ruim é: Não há solução mágica. A boa notícia? É possível desenvolver estratégias para lidar com isso tudo. Sim... é preciso ser resiliente. Não no sentido de aceitar tudo como "natural" e que nada possa ser feito. Mas no sentido de que todos nós podemos desenvolver novas estratégias para lidar com as pressões, nos adaptando melhor à realidade da vida como ela é. Ok, Bruna. E como se faz isso? O processo precisa ser baseado numa série de fatores que incluem as 05 dicas que darei pra você, logo abaixo: 1) Reveja a sua lista de tarefas É preciso identificar o que realmente nos pertence e o que pode - e deve - ser devolvido a quem de direito. Uma boa pista que nos leva a essas revisões é prestar atenção e refletir sempre que pensarmos ou dissermos expressões do tipo "eu tenho que", "eu deveria"... Ao observamos é comum até assustarmos com o tanto que dizemos isso, muitas vezes de forma automática. Será que "eu tenho que" mesmo? Baseado em que eu acredito que "eu deveria"? 2) Faça atividades bobas Sim. A mente descansa enquanto fazemos coisas sem sentido. Uma boa dica é zarpear os canais da TV. Começou a fazer sentido? Muda de canal. 3) O trio: alimentação adequada + atividade física + sono restaurador é essencial. Se você não está conseguindo atender a essas três necessidades, busque ajuda especializada. Um nutricionista, um médico, um profissional de educação física... Foque no que você precisa e vá atrás. Se a dificuldade for encontrar um tempo para essas coisas, releia o ítem 1 logo acima e veja o item 3 a seguir. 4) Psicoterapia Sim. Psicoterapia pode ser fundamental para você rever os seus critérios, crenças e a forma com que você lida com os desafios da vida. Perfeccionismo pode atrapalhar. Permissividade idem. A comparação com aquela pessoa que "dá conta de tudo" só nos deixa cada vez mais culpados de não termos a performance que ela tem. Procrastinação. Dificuldade ou inabilidade em dizer não. Medo de incomodar. Medo de expressar. De dizer um "para por aí" bem grande quando o outro está passando dos limites dele... Enfim, situações assim nos limitam na busca por soluções e nos impede de ter alegria de viver. Procure ajuda profissional para lidar melhor com as suas emoções. Todas elas tem uma função importante dentro de você. O psicoterapeuta pode te orientar a compreender o que essas emoções estão querendo ensinar a você. Novas posturas, novos resultados. 5) Lazer Lazer não é opcional. Lazer é fundamental. E nada de afirmar que o trabalho dá prazer. Não existe isso. Trabalho dá trabalho. Os frutos podem te dar prazer sim.... mas qual o preço que você está pagando por tais frutos? Será que só esse prazer obtido com os resultados que existe? Se a sua saúde não é das melhores e o stress é uma rotina, acredite: você está pagando um preço altíssimo. Muitos de nós fomos educados na máxima "Primeiro a obrigação, depois o lazer". O problema é que a gente por vezes não deixa esse depois chegar. A mente precisa de "quebras de estado" para processar de maneira adequada. Assim como uma máquina precisa de pequenas pausas, nós também precisamos. A psicoterapia também pode te ajudar a reenquadrar a maneira que você se permite descansar, relaxar, se divertir. É preciso novos estímulos também. Jogar vídeo game todo santo dia é diversão ou hábito? Meu recado final pra você é: se você não está satisfeito com a vida que está levando, lembre-se que você não é uma árvore. Mude! Se não souber como mudar, busque ajuda! Síndrome de Gabriela - "Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim" - faz com que você estacione no tempo. "A vida é trem bala, parceiro. E a gente é só passageiro prestes a partir".

Oi pessoal!
Escrevi esse texto no meu Facebook pessoal.
Mas resolvi disponibilizar aqui também. Espero que seja útil!

Oh, Facebook... eu tô aqui num diálogo interno, também conhecido como "pensando com meus botões" e achei que poderia ser útil quebrar esse estado e compartilhar alguns aprendizados que eu tive... vai que faça bem pra mais alguém além de mim, né?! Então, tá aí.... Senta que lá vem textão.. ou então passa batido. Cê que escolhe.
Da série "Aprendizados preciosos sobre relacionamentos":
1) Respeitar o direito de escolha do outro. E também o nosso próprio direito de escolha. Sabe aquela história de "pra sempre"? Então.. pra sempre é muito tempo. Durabilidade pode até acontecer, mas não basta a minha promessa e a promessa do outro. É preciso comprometimento mútuo. E ainda assim eu posso escolher outro caminho. E o outro idem.
2) Reconhecer a nossa participação naquilo que a gente tanto reclama. Esse negócio de "é o outro que me...", como já dizia Sartre, nos impossibilita de tomar posse daquilo que está sob o nosso alcance. Se é relação, tem participação de ambas as partes. Vou falar um troço precioso procê: na posição de vítima terceirizamos ao outro a possibilidade de darmos a volta por cima, em qualquer circunstância. Já pensou que tragédia?!
3) Entender que não é o amor que sustenta uma relação. Mas sim a forma de se relacionar que sustenta o amor. Tadinho desse tal de amor... ele recebe cada encargo! E ele não dá conta dessas coisas não. Trata de não cuidar dele pra você ver se ele não acaba ou fica soterrado debaixo de tanta mágoa, frustração, decepção e etc.
4) Amor é algo espontâneo. Não se cobra e nem se pode cobrar. E mais: minha capacidade de amar depende só de mim. A capacidade do outro de amar também só depende dele. Eu não tenho alçada sobre o que o outro sente e vice versa. Nossa, Bruna... que frieza! Tem coração não? Cadê seu o romantismo? Está onde ele deve estar, uai: nas ações! E não na ilusão de que eu tenho como garantir o amor do outro por mim. E que eu tenho como garantir meu amor pelo outro. Pra continuar vivendo este amor ao lado de quem é importante pra gente temos que fazer por onde. Cultivar, nutrir, cuidar.
5) Falando nisso, em amor, em emoções, a emoção alheia deve ser validada. Acolher o que o outro sente. Nada de "Você não tem motivos para sentir ciúme" ou ainda "Não tem necessidade de você ter ficado tão chateado(a)!" Pra isso a gente precisa de um exercício óbvio, mas nem por isso executado com frequência: se colocar no lugar do outro. Margente... isso faz uma diferença na vida que cêis nem imaginam!
6) Não ser mais competente que o outro para coisas que são do outro. Isso vale para tarefas, emoções, papéis e etc. Confiar na competência do outro é fundamental. Imagina só se relacionar com alguém achando que ele não tem competência pra gerir suas próprias emoções, que não conseguirá processar uma mágoa ou até mesmo uma frustração? Deus me livre! É muita prepotência da nossa parte. É aí que o amor morre mesmo, coitado.
7) E pra não deixar dúvidas, saber dessas coisas todas não nos livra dos erros e dos tropeços. É como diz aquela canção famosa aqui das Minas Gerais, de uns caras gente fina do Clube da Esquina: "A lição já sabemos de cor. Só nos resta aprender."
Bom, pra encerrar, meu muito obrigada aos meus(minhas) Mestres (as) e à vida por tanto aprendizado! E obrigada também por todos os que ainda virão. Viver é aprender.
Se você achar que isso aí em cima pode ser útil pra alguém, compartilha aí ;-) Vai que, né?!

Postado originalmente no Facebook em 23/01/17.


O despertador é implacável: 06h da manhã. Hora de levantar.
Levanta e entra embaixo do chuveiro para acordar enquanto a água cai sobre o corpo. Termina o banho e vem o dilema: elegância, num salto 12? Ou conforto, num jeans surrado e sapatilha para atravessar o dia que promete ser longo? Opta pelo jeans com o salto 12. Olha no espelho e no relógio. No máximo vai dar tempo de um corretivo para esconder as olheiras crônicas, resultado de muitas noites mal dormidas.

Corre pra cozinha pra preparar o lanche das crianças, olha no relógio de novo e se dá conta de que não vai dar tempo de tomar café. Visualiza a fruteira praticamente vazia ("Nossa, não consegui fazer supermercado ontem!" ela pensa) e vê uma última maçã. Fica feliz, embora culpada por só ter essa maça, pois será seu café da manhã enquanto dirige para o trabalho. Acorda as crianças. Sim, a velha luta de todo dia: “Só mais 05 minutos, mãe!”. Olha no relógio de novo. Talvez se pegar um atalho no trânsito dê pra compensar esses 05 minutinhos a mais. “Tadinhos”, ela pensa. Se dá conta que o marido ainda não despertou e lembra, no lugar dele, que ele tem uma reunião importante. Acorda o marido que diz, raivoso: “Por que não me acordou antes? Estou atrasado!”. Engole a seco e vai pela segunda vez acordar as crianças.

Ok, crianças despertas, arrumadas, alimentadas. Pega chave do carro, bolsa, filha, filho, mochilas, lancheiras. Olha pra fora e vê que pode chover. Pede para as crianças ficarem estáticas enquanto busca o casaco delas no armário. Volta pra porta de saída e vê que elas não obedeceram. Estão brincando com o cachorro lá fora. Chama as crianças, checa se elas não se sujaram, pega tudo novamente e se prepara pra sair. O marido passa apressado por ela e pega a maçã que seria seu café da manhã. Respira fundo, coloca as crianças no carro. Acelera pra elas não chegarem atrasadas. Enquanto dirige, sonha com um pão quente com manteiga e uma xícara de café fumegante. Deixa as crianças na escola. Dirige rapidamente para o trabalho e percebe que passou 15 minutos do seu horário de entrada. Dá bom dia ao chefe que responde com um sonoro e insatisfeito “boa noite, você quer dizer, né?”.

Passa a manhã inteira correndo atrás de prazos, documentos, relatórios, e-mails, ligações. Café da manhã? Não deu! Sorte que tinha uma barrinha de cereais salvadora na gaveta do escritório. Faltando 10 minutos para o seu horário de almoço, o chefe convoca para uma reunião “urgente” de avaliação de resultados. Era uma vez um prato de arroz com feijão... Sai da sala do chefe às 14h, arrasada. Seu desempenho foi avaliado aquém do que deveria ser. Liga pro delivery de pizza, come na mesa do trabalho mesmo. Sente-se culpada por comer a pizza. Deveria ter ligado para o delivery de saladas. Passa a tarde acelerando ainda mais pra tentar ter uma avaliação de desempenho melhor.

18h. Hora de ir pra casa? Não! Precisa ir pra academia. A barriguinha saliente, o culote, as celulites... tudo a incomoda muito. E tem medo de perder o marido para uma novinha. Seria uma tragédia ser trocada por outra melhor que ela! Hastag #OdeioAMarinaRuiBarbosa .Vai pra academia e dá graças a Deus por encontrar uma amiga com uma banana extra. Treina e corre pra casa. Ainda tem o jantar pra fazer, o dever de casa das crianças... Peraí! Crianças?!?!?! Será que o marido as buscou no colégio? Se deu conta que não passou whatsapp a tarde pra ele, para lembrá-lo desse compromisso. Sente-se a pior mãe do mundo, a pior esposa do mundo. Chega um whats do marido perguntando se ela vai demorar, pois ele e as crianças estão com fome. Um suspiro de alívio por ele estar com as crianças e mais uma busca no waze pelo caminho mais rápido.

Chega em casa e o jantar vai ser lasanha congelada. As crianças amam. O marido diz que não aguenta mais comer lasanha congelada. Ela olha com ele com uma cara de: você acha que eu aguento? Ele não entende. Deixa pra lá. Banho nas crianças, louça lavada, roupa na lavadora. Ela só pensa em tomar um banho e cair na cama. Toma banho, cai na cama e o marido chega todo meloso, praticamente se encaixando nela. Ela diz: “Hoje não, estou muito cansada.” Ele responde: “Cansada de quê? Aposto que você tá de TPM!”. Olha pra ele com mágoa no olhar, pois não está de TPM. Não perdeu o controle nem gritou uma vez se quer no dia. Tentou ser o mais cordata e resiliente possível. Se estivesse de TPM já estaria rodando a bahiana com ele agora. Ele não a entende mesmo. Melhor virar para o lado e não discutir. 

Fecha os olhos. Tenta dormir. O marido já ronca ao lado. Ela não consegue. Pega o travesseiro, o livro, o celular e vai pra sala. Um lapso de lucidez a faz pensar que talvez esteja sobrecarregada e que precisaria de ajuda. Interrompe o pensamento, se sentindo culpada por pensar nessa possibilidade. “Vou dar conta”, ela diz a si mesma. Adormece vencida pelo cansaço, por volta da 01h da manhã. No dia seguinte com o livro caído ao lado, o despertador do celular, implacável, toca: 06h da manhã. Hora de levantar.

Atire a primeira pedra a mulher que não se identificou com pelo menos uma ou mais partes da rotina dessa mulher aí de cima. Não é fácil mesmo! Muitas podem ter lido e pensado: “É exatamente assim! Os homens não reconhecem nosso esforço, os filhos não colaboram, o chefe é grosseiro... blá, blá, blá.” O pensamento é de fato procedente. Uma rotina dessas é extenuante! Só mesmo uma super mulher para dar conta.

Aí é que está a questão. Muitas de nós mulheres fomos educadas para sermos super mulheres. Temos que dar conta de tudo, sem reclamar, e sozinhas. Temos que ser boas (quando não as melhores) em cada um dos papéis conflitantes que desempenhamos. Queremos reconhecimento e valorização pelo nosso esforço. Recebemos críticas e cobranças pelo que fazemos. Tentamos nos esforçar mais. Em vão! Não conseguimos e nos sentimos culpadas por não conseguir. Tentamos reduzir a cobrança e relaxar um pouco mais na execução desses papéis. Também em vão! Nos sentimos culpadas por não estarmos desempenhando, como deveríamos. Oh céus! Quem poderá nos defender? Chapolin Colorado? Acooorda, menina!, diria a Ana Maria Braga. A infância já passou, embora a maioria de nós não tenha percebido e continuamos vivendo sob a perspectiva das super heroínas do mundo infantil. Temos orgulho de sustentar o título de "Mulher maravilha". Voltando à dúvida, eu te respondo quem vai poder nos defender: Nós mesmas!

É preciso repensar e mudar as estratégias para lidar com esses papéis que desempenhamos. Só assim obteremos novos resultados, alinhados a uma qualidade de vida. O processo da aceitação passa por reaprendermos estratégias para lidarmos conosco mesmas (auto amor), com os nossos posicionamentos (auto expressão), com as nossas relações afetivas, familiares e com o desempenho profissional.

O primeiro passo consiste em reconhecermos o quanto somos participativas nessa desordem de que tanto reclamamos. Você pode estar pensando: “Bruna, como assim? Faço de tudo pra melhorar isso e você vem me dizer que eu estou colaborando para que essa situação se mantenha?” Sim, querida leitora! Nós colaboramos para a perpetuação dos conflitos, pois não sabemos lidar bem conosco mesmas, valorizamos mais o amor do outro do que o nosso auto amor, não sabemos nos posicionar e não sabemos nos relacionar de forma eficaz. Precisamos reaprender uma série de coisas! A posição de vítima não nos confere a autonomia necessária para as mudanças que precisam ser feitas. Resgatar a nossa autonomia frente aos dilemas que enfrentamos é o caminho que nos direcionará para a nossa autenticidade e para a resolução de conflitos que estão na base de todo esse processo. Saber como esses conflitos se estruturam e descobrir novas estratégias para lidar com tudo isso é possível. Ou melhor: é necessário e urgente. Ou vamos preferir continuar reclamando?
Em nossas relações afetivas, é muito comum adotarmos posturas baseadas numa necessidade de retirarmos o risco de perder o outro, como se o outro nos pertencesse. Esse comportamento está baseado em crenças equivocadas de que uma relação, seja ela qual for, está totalmente sob a nossa responsabilidade. Como se tivéssemos a capacidade e a alçada de controlar os sentimentos alheios. Esquecemos que relação é feita de mais de um. Ignoramos a participação do outro, seja ele quem for. É uma estratégia um tanto quanto egoísta, eu diria. Parece paradoxal, mas não é. Anular-se em prol da aceitação alheia é um caminho que nos leva para a frustração, raiva, mágoa e desamor. Jamais nos levará para o autoamor, emoção fundamental na construção de relações sadias. Quanto mais eu tento tirar o risco da relação, maior o risco dessa relação se perder.

Cuidar dos filhos, marido/esposa, pai/mãe e paralelamente se abandonar, deixar de lado o que você gosta de fazer, ignorar o que é importante para você, sentir-se mal por expressar o que você pensa são sintomas da desqualificação do amor por si mesmo. E sem isso, você não amará ninguém. Você dependerá afetivamente, será refém emocional. Amor implica amar-se. Cuidar-se. Considerar-se.

Quando o amor pelos outros se torna muito fundamental a ponto de você deixar de ser você para não desagradar quem é importante pra ti, esse amor está adoecido e jamais cumprirá sua expressão luminosa. Ele vai se expressar na forma do controle, dependência, cobranças, culpas, mágoas, frustrações e muita decepção.

Se o outro te trata com grosseria, tem rompantes de fúria e falta de educação, coloque-se! Ponha limites! Se você não consegue fazer isso é porque o significado do outro está exacerbadamente aumentado em relação ao significado do seu amor próprio. É porque o amor do outro passou a ser sua principal fonte de amor. Só que o poço vazio dentro de você, que clama por afeto, só pode ser preenchido com um tipo exclusivo de amor: o amor de você por você mesmo. Deixar de dizer o que pensa, evitar conflito, discussões e esperar que os outros magicamente mudem de postura é ficar segurando uma dinamite acessa na mão. Essa "bomba" vai explodir, e quem vai para os ares vai ser você mesmo.

O caminho para mudar esse paradigma e se propiciar o exercício do amor real é o caminho do autoamor, do autocuidado, do resgate da própria estima e importância. É um caminho que vai te ensinar algo fundamental: não precisamos valorizar o amor de quem quer que seja mais do que o amor por nós mesmos. Pode parecer clichê, mas você é a pessoa mais importante da sua vida. Se está difícil para você fazer essa mudança, busque ajuda profissional! Educação emocional é uma excelente ferramenta para você desfrutar do amor, por si e pelos outros. Eu ofereço esse suporte terapêutico para orientar você a mudar a sua política de relações. As sessões podem ser feitas por Skype, inclusive, esteja você em qualquer lugar do mundo. Entre em contato! Será um prazer atendê-lo(a)! Maiores informações pelo email: contato@brunasalis.com.br

Relações afetivas existem desde sempre e creio que a dificuldade que temos, habitualmente, em nos relacionarmos com o outro seja uma das maiores dores que afetam a nossa saúde emocional. A maioria de nós anseia por relações saudáveis e luminosas, baseadas no objetivo principal de qualquer troca afetiva. Mas embora haja a busca, nem todos temos consciência do que estamos buscando. Afinal, para que nos relacionamos?

Algumas pessoas responderão que ter alguém é o foco, já que necessitamos da companhia do outro para desenvolvermos a nossa capacidade de amar. Esta resposta não está necessariamente errada. "Amor" e companhia são sim ingredientes indispensáveis numa relação. Mas não são o objetivo principal. São meios pelos quais o ganho principal será atingido. (Reparem que a palavra amor está entre aspas, visto que o que se chama de amor, nem sempre é amor mesmo).

Relacionamentos afetivos saudáveis são aqueles em que os parceiros crescem, evoluem e são impulsionados a melhorarem a si mesmos através do estímulo do outro. A companhia e a convivência podem - ou não - nos conduzir para isso. Quando tal objetivo principal é suprimido ou esquecido, as ligações afetivas são mantidas pelos ganhos secundários e isso favorece a construção das chamadas relações tóxicas. Ganhos secundários nada mais são do que tudo aquilo que obtemos numa situação não favorável, que até nos faz um certo bem, mas que, por si só, é incapaz de sustentar uma relação afetiva sadia, tais como: ter alguém para nos acompanhar, receber alguns carinhos, sexo e, não raramente, alguém para “mandarmos” ou “sermos mandados”.

Esse quadro desfavorável somente ocorre quando uma das partes, pelo menos, não dispõe de AUTONOMIA, que é uma habilidade, não muito comum, de gerirmos bons sentimentos em relação a nós mesmos, e, com isso, sustentarmos atitudes e escolhas afinadas com uma auto estima saudável. Autonomia é o oposto de sermos reféns emocionais, de ficarmos na dependência do que o outro pensa a nosso respeito e, principalmente, do que o outro faz a nosso favor.

Acredite: somos sim interdependentes, mas não a ponto de depositar em algo ou em alguém a responsabilidade de determinar nossas escolhas e muito menos de nos fazer felizes. Quando surge o sentimento de rejeição é um sinal claro que o nosso auto amor está em desvalor, está sendo deixado de lado por nós mesmos.


É possível alinhar e equilibrar isso. O processo terapêutico estratégico pode ser um belo divisor de águas para você vivenciar o amor na plenitude que esse verbo merece. Para maiores informações sobre o atendimento terapêutico, seja presencialmente em BH/MG, ou através do Skype, esteja você onde estiver, entre em contato! contato@brunasalis.com.br

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